Funções do Perispírito

Revista Espiritismo e Ciência, nº 07.

 

Por 

Aluney Elferr

 

 Como já sabemos, perispírito é uma expressão criada por Allan Kardec para designar o envoltório fluídico semimaterial do espírito, definido inicialmente de maneira muito simples como laço fluídico, mas que, na verdade, exerce papéis de fundamental importância na estrutura orgânica e no intercâmbio com as forças invisíveis.
André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, nos apresenta importantes informações acerca das funções do perispírito, iniciando por dizer que este "não é um reflexo do corpo físico porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, e o corpo espiritual retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação. Do ponto de vista da constituição e função em que se caracteriza na esfera imediata ao trabalho do homem, após a morte, é o corpo espiritual o veículo físico por excelência", com sua estrutura eletromagnética.
Claro está, portanto, que ele é santuário vivo em que a consciência imortal prossegue em
manifestação incessante, além do sepulcro, formação sutil, urdida de recursos dinâmicos, extremamente porosa e plástica.
Allan Kardec, em A Gênese, capítulo XI, nos assevera que "[...] Pela sua essência espiritual, o Espírito é um ser indefinido, abstraio, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante dele". Tomando ainda as palavras de André Luiz, tiradas do livro supracitado, "[...] o corpo espiritual preside no campo físico a todas as atividades nervosas, resultantes do entrosamento de sinergias funcionais diversas pois, do enunciado por Kardec, o espírito administra a formação do perispírito, apropriando-o às suas novas necessidades", entre as quais podemos inserir: de arquivos das memórias biológicas; de modelador da organização físio-biológica; de forma reflexa dos arquivos pretéritos. Notemos ainda a expressão espírito propriamente dita. No comum das vezes, consideramos espírito e perispírito como um todo.
Neste breve estudo do perispírito, é bom também não confundirmos o mesmo com o fluido vital, embora resultem um e outro de transformações do Plasma ou Fluido Cósmico Universal, substrato material ou substância-matriz, em sua forma mais primitiva. O fluido vital - de que se pode estar mais ou menos saturado, mais ou menos carente, absorvível e transferível de um indivíduo ao outro, responsável pela vitalidade dos órgãos - não é propriamente um elemento constitutivo do ser, mas o fruto do próprio dinamismo orgânico, que por sua vez alimenta. Diríamos então que o homem é um grande composto formado de corpo (animado pelo princípio vital), alma (espírito no estado de encarnado) e perispírito (agente de intermediação).
Diante das variadas informações contidas nas obras básicas codificadas por Kardec a respeito da mediunidade, não se pode entender a fenomenologia mediúnica sem a presença do perispírito. Ele representará sempre o campo por onde o fenômeno se instala e onde as diversas operações se realizam. Desse modo, o trabalho mediúnico, com todas as suas diversidades, estará na dependência da interferência do perispírito; este sempre atrelado ao terreno físico, no caso dos encarnados, às expensas da região energética do duplo-etérico. Nessa acoplagem, três regiões estarão envolvidas: perispírito, duplo-etérico e corpo físico, conforme dissemos acima.
A maior ou menor sensibilidade mediúnica seguramente estaria na dependência do modo pelo qual o perispírito se acopla na zona física. Quanto mais atado à matéria, menor será a sensibilidade mediúnica. No desacoplamento do perispírito em relação ao corpo, o campo perceptivo se alarga e o médium participará de percepções que transcendem os conhecidos cinco sentidos. O perispírito, quando atrelado ao corpo somático, é como se sofresse uma espécie de absorção, abafamento do campo energético, limitado, como nos diz Jorge Andréa (Psicologia Espírita, Vol. II), a sua influência à zona consciente, e os fluidos densificados da matéria física.

Quando os campos energéticos do perispírito e, naturalmente, boa parte do duplo-etérico, se desenfreiam do corpo material - diante de certas condições de específica sensibilidade, ainda mais com maior ou menor facilidade - permitem o desenvolvimento das conhecidas projeções espirituais, perfeitamente enquadradas nos processos de mediunidade. Diante disso, as energias espirituais do homem se projetam, procurando seus afins; e, pelos exercícios repetitivos, vão se tornando cada vez mais freqüentes, a ponto também de serem transferidos para o estado de vigília.
Plasmamos seguramente em nosso próprio ser - representado pela agregação de perispírito / duplo-etérico /corpo físico (aura) - o que realmente somos e com quem poderemos sintonizar, tanto emitindo como recebendo energias do mesmo padrão vibratório, ou seja, afins. Nessa simbiose natural das coisas vamos começando a entender e avaliando os passes magnéticos, as simpatias e as antipatias inexplicáveis. E outras doações de uma fonte para a outra, mais especificamente ligadas ao passe, quando o paciente recebe, na posição de verdadeiro receptivo, as vibrações positivas do passista harmonizado, incentivando, assim, o restabelecimento do mesmo.
Ao dizermos que o perispírito tem natureza fluídica, etérea, poderemos especificar melhor: mais ou menos etérea, na conformidade desses mundos habitados e na dependência, em cada um deles, da depuração maior ou menor dos respectivos espíritos ou das inteligências a que servem de base espiritual. E ele próprio se densifica na medida em que se relaciona mais estreitamente com a constituição fisiológica, orgânica, neuronial.
De uma forma bastante simplória, diríamos: o espírito quer, o perispírito transmite e o corpo executa; sobressaindo claramente nesse particular a característica de intermediário conhecida por todos nós.

"O espírito é o ser inteligente e sensível, então é o perispírito que transmite as sensações do corpo ao espírito e deste as respostas à organização somática, valendo-se, é bem verdade, do riquíssimo sistema de transmissões de estrutura neuronial, o nosso sistema nervoso" (Alberto de Souza Rocha - Além da Matéria Densa).