Imortalidade

Revista Espiritismo e Ciência, nº 47.

 

Por  José Sola

 

 A sobrevivência da alma é crença generalizada em todas as religiões; todas elas acreditam que, depois da morte, a alma ou o espírito do homem sobrevivem aos escombros da matéria.
As missas dos católicos aos seus mortos queridos, os cultos em que os crentes das mais variadas matizes religiosas buscam a proteção de profetas ou apóstolos, mortos há milênios, confirmam a crença na imortalidade. Não acreditassem os católicos na sobrevivência da alma e não teria sentido a missa de sétimo dia e tampouco o sacramento da extrema-unção, que tem como finalidade preparar a alma para a vida nova na espiritualidade. A missa de sétimo dia e outras a favor dos mortos têm a finalidade de encaminhá-los para Deus.

Não faria sentido a crença das religiões nos profetas e apóstolos, buscando neles a proteção e o amparo, se não acreditassem na sobrevivência do espírito.
Entretanto, as definições de imortalidade apresentadas pelas religiões ortodoxas se fazem vagas e imprecisas, destinando-nos a um inferno eterno ou a um paraíso beatífico. Essas religiões não apresentam uma comprovação lógica que sustente esse dogma; somos chamados a crer, não devemos questionar.
A postura da Doutrina Espírita difere das religiões ortodoxas ao nos pedir que estejamos colocando tudo ao crivo da razão e da lógica, aceitando aquilo que nossa consciência permite.
O Espiritismo ainda nos diz que fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em qualquer época da humanidade.
As religiões ortodoxas acreditam na imortalidade, entretanto coube ao Espiritismo comprovar esta imortalidade. Através da mediunidade, o Espiritismo permitiu a comunicação com aqueles que nos antecederam na pátria dos Espíritos; foi através da faculdade de efeitos físicos da médium Florence Cook (1856-1904) que Katie King se materializou às vistas do eminente sábio William Crookes (1832-1919), comprovando a imortalidade.
Médiuns de efeitos físicos como Elizabeth d'Esperance (1855-1919), Eusapia Palladino (1854-1918) e tantos outros participaram na comprovação da imortalidade quando permitiram a sábios como Cesare Lombroso (1835-1909), Alexander Aksakof (1832-1903), Cromwell Fleetwood Varley (1828-1883), Charles Richet (1850-1935) e muitos outros que verificassem os fenômenos de materializações, atestando a veracidade dos mesmos.
Outras faculdades mediúnicas mais generalizadas como as de vidência, clarividência, desdobramento, incorporação e psicografia confirmam a imortalidade da alma.

No entanto, estaremos comprovando a imortalidade através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier e, embora seja ele possuidor de todas as faculdades mediúnicas citadas, estaremos nos atendo à faculdade de psicografia, pois esta define o escopo de sua missão.
Fizemos a escolha do médium Francisco Cândido Xavier como um instrumento de comprovação da imortalidade por vários motivos. Entre eles, destacam-se a disciplina, o amor e a humildade, que fazem dele um médium idôneo e respeitável; acrescente-se a isso seu potencial mediúnico, o que possibilita aos Espíritos manifestantes individualizar-se, apresentando suas características pessoais, comprovando dessa forma serem os personagens que se anunciam.
Mas para comprovar a imortalidade da alma através das comunicações feitas por parte dos Espíritos importa comprovar primeiro a veracidade dessas comunicações. Os espiritualistas alegam que, depois que morremos, vamos para o céu ou para o inferno eterno, de onde não podemos sair; portanto, não podemos nos comunicar com nossos entes queridos que ficaram na Terra.
Conforme dizem, as comunicações que obtemos através da mediunidade não se fazem da parte de familiares que desencarnaram; são os demônios que se comunicam conosco no intento de nos fazerem perder.
Serão realmente os demônios que se comunicam pelos médiuns e nos ensinam a praticar a caridade, a viver o evangelho de Jesus, amando-nos uns aos outros como irmãos filhos de Deus? Se assim fosse, pelo que tudo indica, Satanás e seus assessores estariam trabalhando contra as trevas, traindo o próprio ideal; seriam os mais árduos propagadores do evangelho de Jesus.
Os opositores alegam que o demônio se utiliza de mil artimanhas para nos ganhar a confiança e subjugar a mente, e nem mesmo o evangelho é desprezado na intervenção dessa trama das trevas.
Essa argumentação é muito simplória, pois é absurdo crer-se que esses seres pervertidos ao mal fossem ingênuos a ponto de nos ensinar o amor e a caridade, virtudes estas que nos aproximam do mestre Jesus. Dessa forma, quando quisessem inverter a situação, não encontrariam mais campo vibracional propício para suas manobras nefastas.
Como visto, essa acusação não encontra lógica, não se sustenta pela razão; ao contrário, confirma-se e alicerça-se de maneira lógica e racional a comunicação de nossos entes queridos que partiram para a pátria dos Espíritos.