Cobiça e inveja.

Reformador, fevereiro 2003 . FEB

 

Autor: José Yosan dos Santos Fonseca

 

Na vida prática essas duas imperfeições da personalidade são muito confundidas, parecem a mesma coisa. A verdade é que devemos esforçar-nos para que não cultivemos nem uma nem outra. Para ajudar o leitor a distingui-las, propomos o seguinte critério: cobiça é querer o que é do outro - bens, posses, coisas, situações. Inveja é não querer que o outro tenha - situação, prestígio, boa reputação, amor, boa imagem, vantagens, independentemente do fato de que ele não tendo, isto nos beneficie, ou não. Se o leitor observar bem, verá que na maioria das circunstâncias, tanto da cobiça quanto da inveja, nada resulta em nosso benefício, apenas frustração e prejuízo para o próximo, o que é uma flagrante violação da lei de amor que nos manda querer para os outros aquilo que quereríamos para nós. Usamos, semanticamente, palavras com valores atenuados, que freqüentemente transformam grandes imperfeições, tais como a ambição, a inveja e a cobiça, em "valores" sociais. Ante uma informação de que alguém conseguiu algo de bom, lá vem um "se inveja matasse eu estaria morto", que é tomado como um cumprimento, um estímulo, mas que no fundo expressa muito freqüentemente o que significa: eu gostaria de ter isso no seu lugar, você ganhou isso por sorte; por que não eu? A idéia não é que você se torne santo de um dia para o outro, mas que seja a cada dia um pouco melhor, identificando condutas, problemas e dominando impulsos negativos. Quando se vir ante um impulso de inveja ou cobiça, identifique claramente seu sentimento e procure corrigi-lo na hora, por palavras, sentimentos ou atos corretivos.