Gratidão

Reformador, junho 2000. FEB

 

Autor: Gebaldo José de Souza.

 

"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus." (Mateus, 5:3.)
Velhinho, quase centenário e  de poucas letras, aprendeu, longa vida, lições preciosas. Entre elas,  as da humildade e da gratidão, belíssimas virtudes que lhe ornavam o caráter íntegro. Pequeno e um pouco curvado,
mãos calejadas pelas muitas canseiras e pelo bom hábito de cultivar a terra, sua predileção era a de plantar, sobretudo árvores frutíferas.
Muitos lhe diziam, constantemente:
— 'Seu' João, o senhor não vai comer frutas dessa árvore! Está perdendo seu tempo!
Como quem diz: vai morrer logo! Numa frase revelando não só o próprio egoísmo, mas, também, falta de caridade para com o bom velhinho.
A esses, respondia ele, sem se agastar, generosa e fraternalmente:
— Outro come, meu filho! Outro come! Quando nasci, comi frutos de árvores que outros plantaram. Quando partir da Terra, a vida aqui vai continuar. Crianças e passarinhos — criaturinhas de Deus — irão encontrá-los e se alimentarão!
E acrescentava, ilustrando sabiamente: — Em viagem, quando chego a uma tapera e estou com sede e faminto, às vezes vejo uma laranjeira carregada de frutos. Colho-os e sacio a sede e a fome, dando graças a Deus, rogando a Ele que abençoe as mãos daquele que a plantou! Como vemos, nessa bela lição de amor a Deus e ao próximo, demonstra ele a reverência pela vida, além das virtudes do desprendimento, da humildade, mas sobretudo da gratidão, que enobrece a alma de quem a cultiva! Apesar de quase analfabeto das letras do mundo, sábio e generoso. Lição de vida e belíssimo exemplo de um homem que revela grandeza em sua humildade, em sua pobreza honrada e feliz!