Autor Espiritual: Paulo (apóstolo)

    Comentários: Allan Kardec

 

 

"Uma palavra sobre os médiuns curadores, dos quais vindes de falar; estão todos nas disposições mais louváveis; têm a fé que ergue as montanhas, o desinteresse que purifica os atos da vida, a humildade que os santifica. Que perseverem na obra de Espiritismo ensina, se aproxima constantemente do Criador. Que, quando empregam sua faculdade, a prece, que é a vontade mais forte, seja sempre seu guia, seu ponto de apoio. O Cristo vos deu, em toda a sua existência, a prova mais irrecusável da vontade mais firme, mas era a vontade do bem e não a do orgulho. Quando dizia às vezes: Eu quero, essa palavra estava cheia de unção; seus apóstolos, que o cercavam, sentiam seus corações se abrirem a essa santa palavra. A doçura constante do Cristo, sua submissão à vontade de seu Pai, sua perfeita abnegação, são os mais belos modelos de vontade que se possa propor para exemplo."

  • PAULO, apóstolo (Médium, Sr. Albert),

  • Algumas explicações farão facilmente compreender o que se passa nesta circunstância. Sabe-se que o fluido magnético comum pode dar, a certas substâncias, propriedades particulares ativas; neste caso, age de alguma sorte como agente químico, modificando o estado molecular dos corpos; nada há, pois, de espantoso em que possa mesmo modificar o estado de certos órgãos; mas compreende-se, igualmente, que sua ação, mais ou menos salutar, deve depender de sua qualidade; daí as expressões de
    "bom ou mau fluido; fluido agradável ou penoso." Na ação magnética propriamente dita, é o fluido pessoal do magnetizador que é transmitido, e esse fluido que não é outro senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência moral do Espírito. É, pois, impossível que o fluido próprio de um encarnado seja de uma pureza absoluta, e é por isso que sua ação curativa é lenta, algumas vezes nula, algumas vezes  mesmo nociva, porque pode transmitir ao enfermo princípios mórbidos. De que um fluido seja bastante abundante e enérgico para produzir efeitos instantâneos de sono, de catalepsia, de atração ou de repulsão, não se segue, de nenhum modo, que tenha qualidades necessárias para curar; é a força que abate, e não o bálsamo que abranda e repara; assim ocorre com os Espíritos desencarnados de uma ordem inferior, cujo fluido pode mesmo ser malfazejo, o que os Espíritas têm, a cada instante, a ocasião de constatar. Só nos Espíritos superiores o fluido perispiritual está despojado de todas as impurezas da matéria; de alguma sorte, ele é quintessenciado; sua ação, por conseqüência, deve ser mais salutar e mais pronta; é o fluido benfazejo por excelência. Uma vez que não se pode encontrá-lo entre os encarnados, nem entre os desencarnados vulgares, é preciso, pois, pedi-lo aos Espíritos elevados, como se vai procurar nas regiões longínquas os remédios que não se encontram na sua. O médium curador emite pouco de seu próprio fluido; ele sente a corrente do fluido estranho que o penetra e ao qual serve de condutor; é com esse fluido que magnetiza, e aí está o que caracteriza o magnetismo espiritual e o distingue do magnetismo animal: um vem do homem, o outro dos Espíritos. Como se vê, não há aí nada de maravilhoso, mas um fenômeno resultante de uma lei da Natureza que não se conhecia. Para curar pela terapêutica comum, não basta qualquer medicamento; são necessários puros, não avariados ou adulterados, e convenientemente preparados; pela mesma razão, para curar pela ação fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis; uma vez que esses fluidos benfazejos são o próprio dos Espíritos superiores, é, pois, o concurso destes últimos que é necessário obter; é por isso que a prece e a invocação são necessárias. Mas para orar, e sobretudo orar com fervor, é preciso a fé; para que a prece seja escutada, é preciso que seja feita com humildade e ditada por um sentimento real de
    benevolência e de caridade; ora, não há de verdadeira caridade sem devotamento, e não há de devotamento sem desinteresse; sem essas condições, o magnetizador, privado da assistência dos bons Espíritos, nisso está reduzido às suas próprias forças, freqüentemente insuficientes, ao passo que com seu concurso podem ser centuplicados em poder e em eficácia. Mas não há licor, tão puro que seja, que não se altere passando por um vaso impuro; assim ocorre com o fluido dos Espíritos superiores passando pelos encarnados; daí, para os médiuns em que se revela essa preciosa faculdade, e que querem vê-la crescer e não se perder, há necessidade de trabalhar para a sua melhoria moral. Entre o magnetizador e o médium curador há, pois, esta diferença capital, que o primeiro magnetiza com seu próprio fluido, e o segundo com o fluido depurados dos Espíritos; de onde se segue que estes últimos dão seu concurso àqueles que querem e quando querem; que podem recusá-lo, e, por conseqüência, tirar a faculdade àquele que dela abusasse ou a desviasse de seu objetivo humanitário e caridoso para dela fazer um tráfico.Quando Jesus disse aos seus apóstolos: "Ide! expulsai os demônios, curai os enfermos, "acrescentou: "Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente." Os médiuns curadores tendem a se multiplicar, assim como os Espíritos anunciaram, e isto tendo em vista propagar o Espiritismo pela impressão que essa nova ordem de fenômenos não pode deixar de produzir sobre as massas, porque não há ninguém que não pense em sua saúde, mesmo os mais incrédulos. Quando, pois, se verá obter com o concurso dos Espíritos o que a ciência não pode dar, seria preciso muito convir que há uma força fora de nosso mundo; a ciência será assim conduzida a sair da via exclusivamente material onde permanece até este dia; quando os magnetizadores anti-espiritualistas, ou anti-espíritas, virem que existe um magnetismo mais poderoso do que o seu, serão muito forçados a remontar à verdadeira causa. Importa, no entanto, premunir-se contra o charlatanismo, que não faltará em tentar explorar, em seu proveito, essa nova faculdade. Há, para isso, um meio muito simples, é o de recordar-se de que não há charlatanismo desinteressado, e que o desinteresse absoluto, material e moral, é a melhor garantia de sinceridade. Se há uma faculdade dada por Deus num objetivo santo, sem contradita, é esta, uma vez que exige imperiosamente o concurso dos Espíritos superiores, e que esse concurso não pode ser adquirido pelo charlatanismo. É a fim de que se esteja bem edificado sobre a natureza toda especial dessa faculdade que a descrevemos com alguns detalhes. Embora tivéssemos podido constatar-lhe a existência por fatos autênticos, dos quais vários se passaram sob os nossos olhos, pode-se dizer que ela é ainda rara, e que não existe senão parcialmente nos médiuns que a possuem, seja porque estes não tenham todas as qualidades requeridas para possuí-la em toda a sua plenitude, seja porque ela está em seu início; é porque os fatos não tiveram, até este dia, senão pouca repercussão; mas não tardará a tomar os desenvolvimentos de natureza a fixar a atenção geral; daqui a poucos anos se revelará em algumas pessoas predestinadas a esse efeito, com uma força que triunfará de muitas obstinações; mas não são esses os únicos fatos que o futuro nos reserva, e pelos quais Deus confundirá os orgulhosos e os convencerá da impotência. Os médiuns curadores são um dos mil meios providenciais para alcançar esse objetivo de acelerar o triunfo do Espiritismo. Compreende-se facilmente que essa qualificação não pode ser dada aos médiuns escreventes, que obtêm prescrições médicas de certos Espíritos. Não encaramos a mediunidade curadora senão do ponto de vista fenomênico, e como meio de propagação, mas não como recurso habitual; num próximo artigo trataremos de sua aliança possível com a medicina e a magnetização comum.