"MENSAGEM DE ANO NOVO"


(Mensagem psicofonada pelo médium Roberto Lúcio em reunião no dia 01/01/2006, na Associação Médico Espírita do Brasil - Espírito Carlos )

 

 

Relata o Evangelista Mateus, no seu capítulo 10, que após ter escolhido aqueles para discípulos que se tornariam os seus grandes seguidores, Jesus concitou a todos para irem pregar às ovelhas perdidas de Israel, dizendo que, onde chegassem, em cada cidade, em cada morada, em cada casa que adentrassem, que é chegado o Reino dos Céus. Continua o Nosso Mestre Amoroso a convidar-nos ao trabalho, à transformação, escolhendo-nos como outrora escolheu, porque o Evangelho é claro: no momento anterior, haviam sido chamados mais de quinhentos e que, a posteriore, este grupo havia se resumido em aproximadamente setenta companheiros e destes, doze foram determinados para fazerem o trabalho hercúleo, de imenso sacrifício, de profunda renúncia, objetivando não só a conservação dos ensinos magistrais do Senhor Jesus, mas o da construção de pilares que deveriam sustentar os homens, durante os milênios que se seguiriam, edificariam, mesmo diante de tanta luta, atrocidade e dificuldades, bases que oportunizariam a vinda do Consolador prometido, através do trabalho da mediunidade de tantos abnegados trabalhadores, os quais colaboraram, nos primeiros momentos,para o surgimento da Doutrina Espírita.

Ainda hoje, a parábola dos últimos trabalhadores ou trabalhadores da última hora é de fundamental importância. Precisamos entender que um trabalho, como o realizado pelos irmãos enfrenta inimigos, espíritos desencarnados e encarnados descontentes, nos mais diversos planos da vida e sobre as mais diversificadas condições. São companheiros da Doutrina que, embora conhecedores de um corpo teórico, se fecharam a observações de maior profundidade, de maior saber. Para esses, o tríplice aspecto da Doutrina de Jesus, trazida por Kardec, através da revelação prometida, não é bem aceito.

Muitos são aqueles que nos conheceram na lama, nas atitudes mais absurdas, mesmo aquelas realizadas em nome do amor, da fé, da verdade, que assistiram aos nossos discursos de falsidade.
Outros são criaturas que, ligadas ao campo da ciência utilitarista, se incomodam com a integração de conhecimentos mais profundos.

Eles têm juntado forças na tentativa constante de inibir o trabalho e o fazem se utilizando das desculpas mais diversas. Utilizando-se dos nossos pontos fracos, complexos de culpa, cansaço da lida. São jogos sutis, os quais mexem com a estrutura das nossas famílias, que tocam os nossos corações, às vezes, presos às provas tão difíceis e que nos envolvem nos campos das dificuldades econômicas e financeiras, colocando à nossa frente, aparentemente situações que são, muitas vezes, o grande remédio para nossas dores.

São situações e ocasiões que tocam como uma luva de pelica, na medida certa para nossas mãos, e que interpretamos, muitas vezes, como bênçãos, mas que servem para afastar-nos daquilo que verdadeiramente nos trouxe aqui.

Os irmãos estão aqui reunidos com outros companheiros e a outros, com os quais já estiveram juntos e foram tragados pela invigilância e vaidade. Não se reuniram por acaso. Não se encontram neste trabalho por mérito. Precisam ter a clareza de que não fazem nenhum favor de serem pontuais, assíduos e cumprirem suas tarefas dignamente. Sabemos que muitas dores e tribulações os visitam e isso não é privilégio de nenhum de vocês, mas tenham a absoluta certeza de que se conseguem manter um lar e trabalho digno e sustento para suas vidas, isto devem ao trabalho espiritual. É nesta Associação, é na realização daquilo que um dia se propuseram, onde encontrarão amparo e remanso, para fazerem o resto. E se alguém, com todo o direito, possa sentir, em nossas palavras uma postura muito enfática, uma posição austera, deixamos o desafio para deixarem o trabalho e perceberem o ritmo da caminhada.

Não é castigo divino, praga ou ação de espíritos, é simplesmente o cumprimento da lei: “Àquele que nada tem, até o que tem lhe será tirado e aquele que tem, muito lhe será dado”. “Digno será o homem de seu salário”. Palavras repetidas pelo Mestre em seus ensinamentos. Cada um que aqui está se encontra no momento do chamado, como trabalhador da última hora. São oportunidades finais. Não por sermos trágicos, mas por sermos lógicos. Se a transição acontece, para se continuar a caminhada dentro de uma maior tranqüilidade é preciso que se sacrifique alguém, que alguns sejam sacrificados.

Alguém chega ao ponto de questionar que é difícil assumir a tarefa, porque têm responsabilidades financeiras. Parece que esses que assim falam não escutam as dores dos que batem às portas do seu consultório. Não escutam as dores dos irmãos que têm atendido, em todos os seus locais de trabalho.

Os irmãos que aqui se reúnem não têm problemas com o essencial. Choram, não por não terem o pão, mas pela geléia. Choram porque querem mais do que o verdadeiramente necessário. Outros caem no campo da dúvida. Dúvida por dores, como se não fossem amparados. Esquecem-se de perguntar o que necessariamente precisa o homem para ganhar o Reino dos Céus?

Abandonam os conceitos aprendidos e querem colheita em terreno árido. Muitas vezes, esses indivíduos que sustentam um argumento verdadeiro, mas a plantação presente é para o dia de amanhã e não o de hoje. Nossos irmãos precisam sustentar, dentro do mais profundo de suas vidas, que não se encontram aqui por acaso, que assumiram esse compromisso com Jesus, que vieram a essa encarnação com esse propósito, mesmo à custa de sacrifícios. Até porque em nome d'Ele sacrificamos muitas coisas: saúde, vida e a paz de muitas criaturas. Não é justo, só porque escolhemos Jesus, que caminhemos ilesos das dores que um dia plantamos. É justo que caminhemos de cabeça erguida. É preciso entender que a Associação não é o presidente ou sua diretoria. Esta Associação é um ideal abraçado e comprometido com Jesus por todos vocês.

É hora de arregaçar as mangas e pegar o lado adequado da charrua, para arenar o terreno, para que ele possa receber a semente. Não esperemos os louros da vitória. Eles não nos pertencem. Os louros da vitória pertencem a outros.

Vocês são picadeiros; são homens que abrem estradas, ao longo das florestas e matas, para que outros possam passar. Não pertencem a uma geração que mereça ali passar. O papel de cada um é de realização desse trabalho: de abrir a estrada para outros.

Nesta tarde/noite, tenha certeza, irmão que dirige esta reunião, inúmeros companheiros foram atendidos aliviando os momentos difíceis pelos quais estão passando. Aqueles que estão presentes ostensivamente representam um grande número dos que foram atendidos.

Servimos apenas como emissários de outros que dirigem o trabalho da Associação. Estamos aqui com a grande figura Bezerra de Menezes, Dias da Cruz e outros citados verbalmente, que buscam mostrar-lhes estarem atentos aos vossos pedidos, mas concitando-os e aos ausentes que tomem seus lugares, que assumam seus fardos, sem esperarem que sejam pedidos ou chamados, pois num texto de um grande escritor do séc. XX se lê:

- "Dai agora, porque é melhor dar quando se é solicitado, por haver apenas compreendido. E há maior graça do que dar? Dai agora portanto para que a glória da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros" - (Gibram).

Do mais profundo do coração, emocionados, agradecemos a Jesus por ter nos permitido estas palavras, ao grande patrono do nosso ideal, por ter nos permitido esse papel. Unamo-nos. Agradecemos a Deus pela dádiva da vida, pela oportunidade do trabalho.

Que Deus nosso Pai, abençoe a todos os nossos irmãos aqui presentes e que nos despeça na Sua Santa paz.