Emmanuel Von Swedenborg

Vários  personagens famosos na civilização ocidental  disseram ter sido influenciados pelos escritos swedenborguianos, como Abraham Lincoln, William Blake, Jean Oberlin e Jorge Luis Borges; e outros que eram familiarizados com suas obras, como Immanuel Kant, Linnaeus, John Wesley, Goethe, Rousseau, Baudelaire e Voltaire. Uns eram entusiastas do nobre sueco, outros o questionavam. Mas todo grande pensador tem encontrado em Swedenborg, pelo menos, um campo fértil de reflexão.

Emanuel Swedenborg nasceu em 1688, em Estocolmo. Era filho de Sara Behm e Jesper Swedberg (sobrenome mais tarde mudado para Swedenborg quando a família foi elevada à nobreza pela rainha Ulrica Eleonora). Jesper era professor de Teologia na Universidade de Upsala, e, mais tarde, Bispo de Skara.Quando iniciou seus estudos na Universidade de Upsala, Swedenborg tinha apenas 11 anos.

Em 1716, começou a publicar um boletim científico intitulado Daedalus Hyperboreus, o primeiro período dedicado à ciência em seu país. Em 1718 publicou a primeira obra sobre álgebra, na língua sueca.

A partir de 1718, assumiu uma cadeira na "Casa dos Nobres", corpo legislativo semelhante à Casa dos Lordes no parlamento inglês. Durante 50 anos cumpriu com fidelidade os deveres parlamentares. Em l721, publicou, em Amsterdã, a obra Prodromus Principiorum Rerum Naturalium (Princípios das Causas das Coisas Naturais), no qual deu uma explicação geométrica dos fenômenos da química e da física. Em l734 publicou as "Obras Filosóficas e Minerais", em que apresentou suas primeiras conclusões cosmológicas. Ainda que sem os fatos que mais tarde os cientistas vieram demonstrar, Swedenborg alcançou conclusões que estão perto das teorias da física nuclear moderna. Foi nesta obra, ainda, que ele sugeriu a hipótese nebular para a formação dos planetas.A pesquisa em busca da alma de Swedenborg expôs num estudo a que chamou "Economia do Reino da Alma", publicada em dois grossos volumes em 1740 e 1741. Nessa obra ele afirmava que o reino da vida é uma unidade admirável, estruturada de acordo com algum grande propósito. Gustaf Retzius disse que, no "Reino da Alma", Swedenborg foi o primeiro a indicar a natureza real do fluido cérebro-espinhal. Ali também, mostrou, muito antes de qualquer fisiólogo, que o movimento do cérebro se sincroniza com o movimento dos pulmões e não com o do coração.
Foi em abril de 1745 que ele teve uma marcante experiência. Numa noite em Londres, após ter tido duas visões estranhas, coisa que ele nunca experimentara antes, viu um espírito, que ele reconheceu ser o Senhor Jesus Cristo. Este lhe falou da necessidade de uma pessoa para servir como instrumento pelo qual Deus iria fazer revelações de Si Mesmo aos homens, de modo semelhante ao que fizera nas visões bíblicas do Velho Testamento. Disse também que explicaria a Swedenborg o sentido oculto ou espiritual existente nas Sagradas Escrituras e, a partir dali, abriria os seus olhos para a realidade do mundo espiritual. Desde então, ele passou a ver e ouvir coisas espantosas jamais vistas e ouvidas por nenhum homem em estado de vigília. A principio, ficava apavorado quando espíritos falavam com ele audivelmente. Mas depois, de 1745 até sua morte em 1772, esteve 27 anos em contínua comunicação com os dois planos da existência simultaneamente, em companhia de  espíritos, ouvindo-os falar e falando igualmente com eles.
Os dois anos seguintes a esta primeira experiência ele passou aprofundando seu já vasto conhecimento da Bíblia. Escreveu umas 3000 páginas de um comentário desse estudo e preparou um extenso Index Biblicus que usou depois em todas as obras teológicas. Ao mesmo tempo, registrava diariamente suas magníficas experiências espirituais, tidas durante o sono ou em estado de plena vigília; essas anotações foram publicadas postumamente em seis volumes chamados "Diário Espiritual".

Há várias ocorrências a respeito das experiências de Swedenborg que foram conhecidas e muito comentadas em toda parte na Europa, naquela época; elas servem de testemunho de suas faculdades excepcionais e da certeza de sua comunicação com o plano espiritual.

Escolhido para descrever a natureza do espírito, Swedenborg foi levado pessoalmente a ter experiências tão inusitadas e diversas, que até hoje o homem comum sequer tem noção de que existem. Da obra  "O Céu e o Inferno", tiraremos alguns exemplos:
 

a)- o estado constante em que viveu, por 28 anos,numa experiência única até então e, ao que se sabe, até hoje, de se manter consciente nos dois planos da existência ao mesmo tempo em pleno estado de vigília, no qual ouvia homens e espíritos e falava com uns e outros;
b)- a experiência de ser conduzido quanto ao espírito, dentro do plano natural, para outros lugares e cidades, como a experiência testificada do incêndio de Estocolmo;
c)- de ser conduzido quanto ao espírito, ainda dentro do plano natural, para outros planetas habitados no universo e falar com os habitantes dali;
d)- de ser conduzido quanto ao espírito para fora do plano natural, às dimensões espirituais superiores e inferiores, chamadas céus e infernos;
e)- e, ainda, a experiência rara de ser fisicamente transportado para outro lugar sem que se tenha noção disso, pois a consciência fica no plano espiritual. Este estado foi experimentado por alguns dos profetas bíblicos, do qual diziam terem "sido levados pelo Espírito" para outro lugar. Sobre isto, Swedenborg escreveu: "enquanto dura esse estado, não se reflete de modo algum sobre o caminho, mesmo quando ele fosse de muitas milhas; não se reflete também sobre o tempo, mesmo quando ele fosse de muitas horas ou de muitos dias; e não se experimenta fadiga alguma; então é-se também conduzido, por caminhos que nós mesmos ignoramos, até ao lugar designado, sem enganos" (CI 441).
f)- e, finalmente, a chamada experiência de quase morte em que foi deliberadamente introduzido a fim de descrevê-la, retendo, no entanto, plena consciência. Dedicou um capítulo inteiro de "O Céu e o Inferno" para descrever as etapas do processo porque passa o espírito humano na morte e em sua ressurreição ou entrada na vida eterna (CI 445-452).
Ao descrever todas essas experiências e expor os ensinamentos daí alcançados, Swedenborg se porta de forma categórica; seu estilo é positivo e direto, sem explicações vagas ou incertezas. Não deixa dúvidas quanto ao caráter da Pessoa Divina, a quem chama o Divino Humano, o Senhor Deus Jesus Cristo. Usa a terminologia mais simples possível para descrever as coisas espirituais. Por exemplo, chama de anjos os seres espirituais elevados, e espíritos demoníacos aqueles que atentam contra o bem-estar do ser humano. Chama de céus as regiões espirituais onde o homem se realiza na prestação de usos, que é a felicidade mesma, e infernos onde o espírito se inflama em cobiças e se vê frustrado por não mais conseguir realizá-las.

Falando das experiências de Swedenborg, não seria justo deixar de mencionar que, quando as descreveu em suas numerosas obras, o objetivo que elas não fossem vistas como fins em si mesmas, mas como meios de se alcançar, por meio delas, a sabedoria de um modo de vida mais humano e, assim, mais celeste. Como ele repetiu centenas de vezes em todos os seus trabalhos, tais coisas foram descritas para que, como disse no prefácio de seu "Céu e Inferno" "a ignorância possa ser assim esclarecida e que a incredulidade possa ser dissipada. Se hoje é concedida uma tal revelação imediata, é porque ela é o que é significado pela Vinda do Senhor" (CI 1).
Sua morte física ocorreu
aos 84 anos,em 29 de março de l772, a qual ele também tinha previsto com semanas de antecedência.

Texto retirado : Pastor Cristovão Rabelo Nobre Sociedade Religiosa "A Nova Jerusalém".