Carmilo Mirabelli

Mirabelli já foi manchete nos mais importantes jornais brasileiros. Mesmo fora de transe, com sua aproximação, móveis se arrastavam, sem contato humano, garrafas voavam, xícaras se quebravam. Pesquisadores estrangeiros vieram ao Brasil para examiná--lo. Carmilo (por muito tempo pensou-se que seu nome fosse Carmine) Mirabelli nasceu em Botucatu (SP) em 5 de dezembro 1888. Seu pai, que teve 28 filhos, era sapateiro e ministro protestante. Infelizmente o médium não pôde estudar por falta de recursos. Ainda adolescente, trabalhou na loja de calçados Clark, no Centro de São Paulo, de onde foi logo despedido pelo fato de que as caixas desciam das prateleiras e os sapatos caminhavam sobre o balcão, sem contato humano, diante do gerente e dos fregueses. Houve quem o considerasse o médium mais completo do mundo e de todos os tempos. Diria que quase completo, pois só não possuía mediunidade de cura. Foi médium pintor (deixou 300 telas mediúnicas: 50 foram expostas na Holanda), psicofônico (em transe falava 26 idiomas), psicografava em 28 línguas, vivas e mortas, e enquanto o fazia conversava, animadamente, em outra língua! Foi também médium musical (em transe tocava piano e violino e cantava com voz de tenor, barítono e baixo, árias em vários idiomas). Era telepata, clarividente e médium de precognição e retrocognição. Possuía também três outras modalidades mediúnicas poderosas na área dos chamados fenômenos objetivos: materialização, desmaterialização e levitação. Vejam que interessante — sua mediunidade dispensava a penumbra e os fenômenos físicos por ele produzidos foram observados por mais de 500 pessoas de elevado nível cultural, entre elas 72 médicos e 105 estrangeiros. Jamais alguém o apanhou em fraude. Em São Paulo, no centro da cidade, foi vaiado e achincalhado pelo povo. E a sua casa apedrejada. E em São Vicente, reconhecido através dos jornais por um grupo de fanáticos religiosos, foi barbaramente espancado. Com menos de 21 anos foi levado como louco ao Hospício de Juqueri (hoje Franco da Rocha), sendo examinado por Franco da Rocha e outros, que eram sumidades no campo da psiquiatria. Fenómenos se processaram à luz do dia, deixando atônita a junta médica. Alguns dos pareceres médicos foram divulgados pelos jornais e fazem parte da obra O Médium Mirabelli, resultado de um Inquérito, editado em 1926 na cidade de Santos, por Rodolfo Mikulasch. Este livro deve ser difícil de ser encontrado, talvez em algum sebo. O próprio Mirabelli criou várias instituições no Rio de Janeiro e em São Paulo para o exame de sua fenomenologia mediúnica, como, por exemplo, a Academia Brasileira de Metapsíquica, o Centro de Estudos Psíquicos César Lombroso e o Instituto Psíquico Brasileiro. O escritor, advogado e deputado Eurico de Góes fez uma pesquisa que durou cerca de vinte anos em torno dos fenômenos medianímicos de Mirabelli. Publicou em 1937 o livro “Pródigos da Biopsíquica obtidos com o Médium Mirabelli”, reproduzindo as atas das sessões, rubricadas por importantes per- sonalidades. Durante uma sessão, o médium se desmaterializou por completo, diante dos presentes, ouvindo-se, em seguida, um barulho no compartimento contíguo. Uma determinada pessoa abre a porta e todos deparam com Mirabelli suspenso no ar, a três metros do solo, sem qualquer apoio. O fenômeno foi fotografado. Descobri que não apenas Espíritos familiares de Mirabelli, como seu pai, a tia, a irmã, mas também Espíritos famosos como Victor Hugo, Lombroso, Toistoi e outros se manifestavam através do médium. Às vezes, Espíritos inferiores, moralmente falando, se infiltravam nas sessões, provocando tumultos. Conta Eurico de Góes que viu Mirabelli ser levantado da cama e, em seguida, jogado contra um guarda-roupa por mãos invisíveis, causando-lhe ferimentos. Ao entrar numa casa, os objetos se moviam, voavam, quebravam-se devido a esses Espíritos atrasados.  O livro O Espiritismo à Luz dos Fatos, de Carlos Imbassahy, fala um pouco sobre este famoso médium. As louças de Imbassahy também se quebraram com a aproximação de Mirabelli. No dia primeiro de maio de 1951, Carmilo Mirabelli desencarnou atropelado na Av. Nova Cantareira, na cidade de São Paulo, quando voltava para casa. Tinha, então, 62 anos de idade.

Fonte: Revista Reformador - FEB. novembro, 2001 - p.28/29.