"A doutrina espírita nos ensina a respeitar todos os princípios religiosos, pois que todos conduzem a Deus".

 

Histórico:  Como nasceu a Doutrina Espírita?     

(Textos de Eliana Gaudenzi)

 

 Em 03 de outubro de 1804, às 19h, na cidade de Lyon, na França,  nascia  Hippolite Léon Denizard Rivail que, mais tarde viria a adotar o pseudônimo de Allan Kardec.

 

Viaje conosco e conheça, mais de perto, a origem do    Espiritismo...

 

 

Indice

Introdução Documentos Biografia de Rivail
Fenômenos de Hydesville         As Mesas Girantes

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Retornemos ao século XVIII....

O país?  FRANÇA !

 

        Durante todo o século XVIII, ou seja, 1701 a 1800, a França representou a luz para os paises ocidentais. Seguiam para esse núcleo intelectual, surgidos de todas as partes, homens capazes, vorazes de conhecimentos nas áreas do saber  humano, principalmente as ligadas à filosofia, às artes e às ciências.

        Esta movimentação deu à Paris o apelido de "cidade luz".

        Um dos pontos mais positivos do "iluminismo" (como ficou conhecida esta época) foi o fato de que tinha-se no ser humano um  ser capaz, e este era estimulado à independência: o pensar por si mesmo, pois que "todos os homens são iguais".

         Nesse meio nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail pois o momento era propício ao surgimento de novos conhecimentos que, certamente, seriam muito bem recebidos pelos homens ávidos em determinar os porquês, os "onde" e os "quando".

 

 

        

  Documentos

 

Clique aqui para ver a Certidão de nascimento de Rivail.

Clique aqui para ver a Certidão de casamento de Rivail.

                   Clique aqui para ver a Certidão de óbito de Rivail.

 

           Vemos claramente que o nome que consta na certidão de nascimento de Rivail é "Denizard Hippolyte Leon Rivail", diferente das constantes na de casamento - "Hippolyte Léon Denizard Rivail" -  e, na de óbito - "León Hippolyte Denizard Rivail". Sabemos que em suas obras, anteriores ao nascimento da Doutrina   Espírita,  ele  assinava  "Hippolyte Léon Denizard Rivail".

 

(documentos retirados do Livro "Allan Kardec - análise de documentos biográficos", dos pesquisadores Jorge Damas Martins & Stenio Monteiro de Barros . Public. Lachâtre. 1999).

 

 

 

Biografia de Rivail

           

            Era descendente de família lionesa, católica.

          Foram seus pais: Jean-Baptiste Antoine Rivail - juiz, e Jeanne Louise Duhamel. Eram residentes à rua Sala, nº 76. No livro "Biographie d'Allan Kardec", Henri Sausse cita que a "casa em que H.L.D.Rivail veio à luz desapareceu quando, de 1840 a 1852, se fez o alargamento e alinhamento da rua Sala, após as inundações de 1840".

 

Casa de Kardec

 

                 Seus primeiros estudos foram em Lyon e, daí, seguiu para a Suíça onde completou- os  na escola do notável professor Pestalozzi, em Yverdon.

 Devido ao reconhecimento do grande valor de Rivail,, Pestalozzi logo colocou-o como seu auxiliar e, por diversas vezes, para, até mesmo, substituí-lo na direção da escola.

                  Bacharelou-se em Letras e Ciências.

                  Falava vários idiomas com espontaneidade.

              Fundou, em Paris, uma escola chamada "Liceu Polimático" pois como educador preocupava-se muito com a melhora do ensino, empenhando-se no aperfeiçoamento da pedagogia. Foi premiado pela Academia Real de Arras, no ano de 1831.

                 Casou-se,  com a professora Amélie Gabrielle Boudet, (foto abaixo, data de 1882 ) no dia 9 de fevereiro do ano de 1832 .      

O Liceu Polimático foi à falência por causa de seu sócio e tio, que gastou grandes somas em jogo. Com o dinheiro que lhe restou, Rivail aplica-o em uma casa comercial, porém sucede outro desastre pois era estabelecimento de um amigo que logo abriu falência por não ter capacidade para gerenciar os negócios. Rivail fica, portanto, em difícil  situação  financeira,  pois  nada mais possuía. Era necessário que fizesse alguma coisa para reerguer-se ; começou a escrever livros didáticos e empregou-se como contador de algumas firmas comerciais, o que, aos poucos, permitiu que se recuperasse, voltando a ter o mesmo padrão de vida que tinha anteriormente.

                   Cursos que organizou: Física, Química, Anatomia Comparada e  Astronomia.

                     Desencarnou em 31 de março de 1869, vitima do rompimento de um aneurisma.

 

No túmulo de Kardec, no cemitério de
Pére Lachaise, em Paris, uma inscrição
sintetiza a concepção evolucionista da
Doutrina Espírita: “Nascer, morrer;
renascer ainda e progredir sem cessar;
tal é a lei".O monumento druídico é

inaugurado em 31 de março de 1870.

 

 

 

Os fenômenos de Hydesville

 

Os acontecimentos de Hydesville, em 1848, foram muito bem narrados por Lino Teles (Ismael Gomes Braga), em “O começo da história sem fim”, um artigo publicado em “Reformador” de abril de 1978, pp. 129/130, e que transcrevemos a seguir:

 

“ Na noite de 28 de março de 1848, nas paredes de madeira do barracão de John D. Fox, começaram a soar pancadas incomodativas, perturbando o sono da família, toda ela metodista. As meninas Katherine (Katie ou Kate), de nove anos de idade, e Margaretta, de doze anos, correram para o quarto dos pais, assustadas com os golpes fortes nas paredes e teto de seu quarto.

Esse barracão, na aldeia de Hydesville, no Condado de Wayne, perto de Nova York, era construído em terreno pantanoso. Os alicerces eram de pedra e tijolos até a altura da adega e daí para cima surgiam paredes de tábuas.Seus últimos ocupantes haviam sido os Weekmans, que posteriormente também confessaram ter ouvido ali batidas na porta, passos na adega e fenômenos outros inexplicáveis.

        No dia 31 de março de 1848 a família Fox deitou-se mais cedo do que de costume, pois havia três noites seguidas que não podiam conciliar o sono. Foi severamente recomendado às crianças, agora dormindo no quarto dos pais, que não se referissem aos tais ruídos, mesmo que elas os ouvissem.

Nada, porém, obstou a que pouco depois as pancadas voltassem, tornando-se às vezes em verdadeiros estrondos, que faziam tremer até os móveis do quarto.

As meninas assentaram-se na cama, e o Sr. John Fox resolveu dar uma busca completa pelo interior e pelo exterior da pequena vivenda, mas nada encontraram que explicasse aquele mistério.

Kate, a filha mais jovem do casal, muito viva e já um tanto acostumada ao fenômeno, pôs-se em dado momento a imitar as pancadas, batendo com seus dedos sobre um móvel, enquanto exclamava em direção ao ponto onde os ruídos eram mais constantes: “Vamos, faça o que eu faço.” Prontamente as pancadas do “desconhecido” se fizeram ouvir, em igual número, e paravam quando a menina também parava.

Margaretta, brincando, disse: “ Agora, faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro”, e ao mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos. Foi-lhe plenamente satisfeito esse pedido, deixando a todos estupefatos e medrosos. Estava estabelecida a comunicação dos vivos com os mortos e assentada uma nova era de mais dilatadas esperanças, com a prova da continuidade da vida além do túmulo.

         Naquela mesma noite  várias perguntas foram feitas pelos donos da humilde casa e por alguns dos inúmeros vizinhos ali chamados, obtendo-se sempre, por meio de certo número de pancadas, respostas exatas às questões formuladas. O comunicante invisível forneceu ainda a sua história: fora um vendedor ambulante, que antigos moradores daquela casa assassinaram, havia uns cinco anos, para furtar-lhe o dinheiro que trazia; seu corpo se achava sepultado no porão, a dez pés de profundidade.

No barracão havia residido, em 1844, o casal Bell, sem filhos, e que só tinha uma criadinha, Lucretia Pulver, que não raro dormia fora, na casa dos pais. Feito um inquérito, ela foi ouvida, pois o casal já havia desaparecido do lugar. Lembrava-se do vendedor ambulante que certo dia aparecera no barracão, e que os patrões a mandaram dormir na casa dos pais, para que o hóspede pernoitasse no quarto dela. Pela manhã compareceu ela em casa dos patrões e soube que o vendedor partira muito cedo.

Diante do depoimento obtido pelos golpes do batedor invisível, foram feitas escavações no porão, mas era tempo de chuvas e, como a água enchia logo a fossa que se abria no terreno pantanoso, resolveram realizar a busca em época propícia. No verão, continuaram a escavação e, a cinco pés de profundidade, foram encontrados carvão, cal e alguns ossos humanos. Por ser muito incompleto o achado, os incrédulos teceram suas dúvidas sobre a verdade da revelação.

As pancadas continuavam, tendo-as testemunhado várias centenas de curiosos. A pouco e pouco foram estabelecendo uma convenção para receberem respostas mais detalhadas às perguntas que se faziam aos autores invisíveis. Convencionou-se um alfabeto em que cada letra representaria determinado número de batidas: o A seria uma, o B seria duas, o C, três, e assim por diante.

As meninas Fox viajaram, e também em outras casas, onde se hospedavam, ouviam-se as tais pancadas, travavam-se conversações com os Espíritos, processando-se ainda outros fenômenos interessantíssimos. Notou-se que possuíam elas uma faculdade especial, e pouco depois se observou que outras pessoas eram dotadas de semelhantes faculdades: ao contacto de suas mãos uma mesa se levantava, dava pancadas com os pés, e essas pancadas respondiam com inteligência a perguntas. Nomes de respeitáveis personalidades já falecidas assinavam belas mensagens anunciadoras de uma revolução no campo moral das criaturas humanas, dizendo que afinal os tempos eram chegados para que novos horizontes se descortinassem aos destinos do homem.

(...) O barracão de John Fox envelheceu e desmoronou em parte, esquecido de todos, visto que surgiram fenômenos muito mais expressivos, formas de identificação de Espíritos comunicantes muito mais convincentes que levaram os estudiosos à certeza da continuação da vida post mortem.

Passou meio século de esquecimento sobre Hydesville. Eis senão quando, alguns escolares da aldeia, brincando no local das ruínas do barracão, notaram que havia caído parte de uma parede interna, junto do alicerce, deixando visível um esqueleto humano quase inteiro e um baú de ferro. Reconfirmava-se, assim, a declaração do Espírito do vendedor ambulante feita havia cinqüenta e cinco anos. O casal Bell ocultara o cadáver e o baú junto da parede da adega e construíra, pelo lado interior outra parede. O fato foi consignado pelo “Boston Journal de 23 de novembro de 1904, que disse terem ficado assim desvanecidas as últimas sombras de dúvidas ainda existentes”.

Ao que tudo indica, o cadáver fora enterrado no centro do porão. Depois, conforme argumenta Sir Arthur Conan Doyle, alarmado o criminoso pela facilidade que havia em ser descoberto o crime, exumou o corpo para junto do muro. Ou porque a transferência se verificasse com muita precipitação, ou porque a luz era escassa, ficaram vestígios da inumação anterior. (...) ”.

Encontramos algumas informações interessantes: Em 1916, Benjamim F. Bartlett adquiriu os restos do velho barracão, reconstruindo-o na cidade de Lily Dale, N.Y., e nele foi feito um museu, onde se podia encontrar os ossos e o baú do vendedor. Porém, mais tarde houve um incêndio que a tudo destruiu.

 

 

 

 

As mesas Girantes

            Na mesma época em que ocorriam os fenômenos em Hydesville (ver capítulo "Os fenômenos de Hydesville"), surgia, em várias partes,o fenômeno das "mesas girantes"  ou "mesas falantes".Tal fenômeno consistia em , sentando-se, as pessoas presentes, em torno de uma mesa (tinham preferência pelas mesas de acaju - que têm a cor castanho avermelhado do mogno) ou outro móvel qualquer, formulava-se então a  pergunta, que era "respondida" através de pancadas ou movimentos giratórios da mesma.

             Estes fenômenos, porém, constituíam, para a aristocracia da época, apenas  uma forma de lazer, mais uma distração, não sendo encarados com  objetivos  sérios.

             Porém não nos esqueçamos que esta era a época em que a ciência, desligada da religião, estava dando saltos enormes em direção aos novos descobrimentos. Nomes célebres como o grande  físico inglês Faraday, , o químico  Chevreul, e outros eminentes nomes da ciência estavam interessadíssimos em tais acontecimentos e dedicam-se à explicação dos "fatos" que estavam acontecendo. Bom destacarmos que Faraday  "afirmou a sua convicção na realidade das mesas girantes"

               No final do ano de 1854, um amigo de Rivail chamado Fortier (magnetizador) disse-lhe que "as mesas também falavam" além de girar ou dar pancadas, em outras palavras, respondiam como se inteligência tivessem. Rivail, pessoa de austera disciplina, equilíbrio e bom senso respondeu: "_ Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto da carochinha."